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“Entrevista Teotónio Santos” – Diário do Minho

TUB preparam futuro sustentável com novas instalações para todos e estratégias de negócio

Os Transportes Urbanos de Braga (TUB) estão a preparar-se para um futuro sustentável, com base em novas instalações, para pessoas e máquinas, em novas tecnologias e em novas estratégias de negócio, que podem colocar empresa de transportes públicos municipais sobre as rodas do sucesso e da sustentabilidade. Em entrevista ao Diário do Minho, Teotónio Santos, administrador executivo da empresa, explicou os passos e expetativas, cujo fim último é conquistar cada vez mais utentes e servi-los bem. A gestão do estacionamento de superfície na cidade é apenas mais uma das novas tarefas, que pode ajudar nesta missão, para além dos benefícios para o ambiente.

Diário do Minho (DM) – A nova estratégia dos TUB passava obrigatoriamente pela aquisição dos terrenos na Ponte dos Falcões?
Teotónio Santos (TS) – Também. A aquisição dos terrenos era fundamental. São cerca de 4 mil e 500 metros quadrados de terreno, que se vão juntar aos quase 20 mil do atual Parque de Material e Oficinas (PMO). Este parque está bem localizado, porque está muito próximo do centro da cidade, o que facilita muito em termos de horários dos motoristas, sobretudo nas horas de viagem em vazio. Contudo, já está claramente insuficiente para as nossas necessidades e pela dimensão da empresa, tendo em conta também que as instalações estão completamente obsoletas.

DM – Como está o processo?
TS – Fizemos essa aquisição à Bragahabit, já está pago e escriturado. E, felizmente, foi uma situação em que todos ficaram todos a ganhar. Porque as pessoas foram realojadas em melhores condições, ou seja, ajudamos a resolver a situação e nós passamos a ter um terreno com maior dimensão para fazermos aquilo que precisamos, nomeadamente para o aparcamento dos autocarros. O nosso parque atual já não tem condições, sobretudo no aparcamento, porque os autocarros ficam muito em cima uns dos outros, dificultando manobras. No futuro, cada autocarro terá o seu lugar fixo.

DM – E as obras, como andam?
TS – As demolições já estão concluídas, neste momento estamos a terminar a vedação para concluir o processo de aquisição e posse. O objetivo é começar a utilizar o mais depressa possível o terreno como parque, simplificando a vida dos nossos colaboradores, em particular dos nossos motoristas.

DM – Qual é o estado do parque automóvel dos TUB?
TS – Diria que estamos a melhorá-lo. No ano passado fizemos a aquisição de seis autocarros elétricos. Entretanto, como é público, já temos aprovado um pacote para mais 32, através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), em que investimos mais de seis milhões de euros, num investimento global de perto de dez milhões de euros. São sete autocarros elétricos e 25 a gás natural, mais as respetivas instalações para o enchimento para gás natural e respetivos carregadores elétricos. É úm processo que que vamos começar agora a executar em entre este ano e o próximo, criando melhores condições para enfrentar o futuro.

DM – Voltando às obras, o objetivo é conseguir apoio financeiro europeu, certo?
TS – Com certeza. Estamos inseridos numa Área de Reabilitação Urbana(ARU) e estamos dar os passos certos para fazermos uma candidatura ao IFRU – Instrumento Financeiro para Revitalização Urbana, para poder financiar o projeto e permitir a construção do nosso parque. Neste momento temos o nosso arquiteto a trabalhar afincadamente para fazer os ajustes necessários à candidatura. Tínhamos feito, há mais de um ano e meio, quase dois, um estudo prévio para as obras, e agora estamos a concretizar, com pequenas alterações, precisamente para que possa caber dentro deste instrumento financeiro para, no fundo, o mais breve quanto possível, dar melhores condições de trabalho aos nossos colaboradores, quer das áreas oficinais quer da área administrativa, dos motoristas, para que estejamos em melhores condições no futuro. Porque eles são fundamentais para o sucesso da empresa.

DM – Para além dos autocarros, o pessoal também vai ter casa nova. Qual é o orçamento da empreitada?
TS – Ainda não temos dados certos e não vale a pena estar a atirar números para o ar. Estamos a trabalhar nisso, porque, como disse, houve necessidade de fazer melhorias e alterações. Por isso, não se pode dizer ainda quanto é que vão custar as obras. É uma empreitada grande, que para estar completamente concluída vai demorar alguns anos. Mas estamos a trabalhar para que o mais rapidamente
possível possamos construir um edifício que possa abarcar a área da manutenção, os autocarros e a área administrativa. Este edifício vai tudo abaixo. Vai ser demolido, porque estas instalações estão obsoletas. Foram sendo construídos aos poucos, mas já não respondem às exigências e necessidades de uma empresa moderna e virada para o futuro, como são os TUB. Alguns espaços já foram demolidos para a colocação dos autocarros elétricos e os carregadores. Brevemente vamos demolir outros e no futuro as atuais instalações vão todas abaixo. Temos de garantir que todos os colaboradores tenham condições para enfrentar os desafios do futuro.

DM – Qual é a mais-valia destas obras para a empresa e os utentes?
TS – Serão, certamente, uma grande mais-valia para a empresa e para os utentes em geral. Porque fazemos a nossa manutenção nas instalações e todo o trabalho que sai daqui reflete-se nos cidadãos. Temos feito um esforço enorme, e com sucesso, para aumentar o número de utentes dos autocarros e o volume de negócio. Nos últimos cinco anos tivemos sempre resultados líquidos positivos, mas é um esforço enorme continuar a trabalhar nestas instalações, desempenhar cada vez melhor o nosso trabalho e continuar a captar mais clientes e trazer
um futuro mais sustentável à nossa cidade e á nossa empresa. O objetivo número um é continuar a aumentar o número de utentes e melhorar o serviço. Queremos sempre mais. Ano após ano temos vindo a colocar no nosso orçamento um crescimento de dois por cento e temos ultrapassado as metas. A meta final é captar cada vez mais clientes e desta forma, reduzir o número de transporte individual na nossa cidade.

DM – É com este propósito que os TUB vão assumir a gestão do estacionamento à superfície?
TS – Também. Os TUB têm um grande “know how” [experiência] em matéria de gestão. E no sentido de o aproveitar, recentemente foi feita uma alteração de estatutos da empresa, precisamente para nos permitir abarcar outras atividades e cumprir outras tarefas, entre as quais a gestão do estacionamento, que já foi anunciado pelo senhor presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio. Assim, ainda este ano, dentro de sensivelmente dois meses, vamos passar a fazer a gestão do estacionamento de superfície em Braga. Estamos a estudar o assunto, a preparar um modelo de negócio e em breve faremos o anúncio público, em conferencia de imprensa.

DM – O modelo de Nantes serviu de inspiração?
TS – Esta não é uma situação inédita. Já existe em muitos países. Ou seja, existe uma rede de transportes que serve a cidade e os cidadãos. No entanto, há pessoas que continuam a preferir o uso de transporte individual. O modelo de Nantes, em França, é inspirador, mas há outros bons exemplos. Estamos a estudar o melhor modelo para a cidade de Braga.

DM – Qual será o destino das verbas?
TS – Existe um estacionamento pago na cidade e essas verbas vão reverter para ajudar a financiar o sistema de transporte. O que quer dizer que o sistema de transportes de Braga vai ser permanentemente melhorado, porque vamos um ter nova fonte de financiamento. E vai ter consequências na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e para o ambiente. Porque o objetivo é retirar carros do centro da cidade.

DM – Como é que classificaria a situação financeira dos TUB?
TS – A empresa está mais robusta, como atestam os cinco anos consecutivos de resultados líquidos positivos. Em 2016, os TUB saíram dos capitais próprios negativos, financia-se na banca em muito melhores condições em termos de juros; tem vindo a a ter sucessivos aumentos de número de passageiros e de volume de negócio, sem qualquer aumento dos tarifários, pelo contrário. Até foram feitas reduções aos reformados e estudantes, eliminadas algumas restrições. Ou seja, a empresa está, neste momento, mais robusta e mais voltado para o negócio, concentrada nos resultados obtidos. Daí também a importância de nos ser atribuída a gestão do estacionamento, que vai tor nar a empresa ainda mais robusta. O que significa que os TUB vão ficar em condições de prestar um melhor serviço aos seus utentes.

DM – O objetivo é tornar os TUB cada vez mais independentes da Câmara Municipal?
TS – Temos vindo a tentar captar cada vez mais utentes, melhorando a qualidade de vida na cidade, com menos transportes individuais e mais receitas diretas para os TUB. E com a gestão dos parcómetros , vamos ter mais verbas e o objetivo é criar condições precisamente para termos, no futuro, cada vez menos dependência dos subsídios camarários. Neste momento, o único apoio que temos é da Câmara Municipal de Braga. Porque o Estado Central praticamente não apoia em nada. Também por isso, não pomos de parte outros negócios que sejam rentáveis que possam melhorar a sustentabilidade da empresa.

DM – Há alguma novidade na prestação dos serviços dos TUB nos próximos tempos?
TS – Vamos apostar em três melhorias de serviços, a implementar brevemente: uma junto ao Hospital Privado de Braga, em Nogueira. É um espaço importante, de onde entream e saem diariamente cerca de duas mil pessoas. Portanto, vamos melhorar o serviço. Também vamos melhorar a oferta aos sábados, domingos e feriados para o Bom Jesus. Porque a procura tem sido cada vez maior, e já não estamos a dar respostas à imensa procura. Por outro lado, desta forma, antecipamos a proclamação de Bom Jesus como Património Mundial da Humanidade, que certamente chegará em breve; Vamos, igualmente, melhoria de oferta para o Hospital de Braga, a partir da linha das Camélias, que também já não dá resposta às necessidades. Estas melhorias vão começar a sentir-se a partir de maio ou junho. Estamos a estudar a melhor forma de as colocar em prática para servir bem os nossos utentes.

DM – A contratação dos colaboradores visa também melhorar a eficiêncicia?
TS – Temos feito uma renovação de pessoal, contratando sobretudo motoristas, porque temos vindo a fazer grandes melhorias na rede; temos já muitas linhas com frequência de 15/20 minutos, incluindo sábados, domingos e feriados. criamos um novo paradigma. Temos linhas a funcionar de 20 em 20 minutos, sete dias por semana.

DM – Os TUB são uma empresa com futuro?
TS – Têm tudo para ter um excelente futuro.

TUB receberam cerca de 800 mil do Estado para baixar os passes

DM – Por estas dias, no âmbito dos transportes públicos, a conversa anda à volta do afamado Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART). Os Transportes Públicos de Braga ganharam alguma coisa ou, uma vz mais, foi para as áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto?
TS – De facto, grosso das verbas foi para as áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto. Para a Comunidade intermunicipal do Cávado (CIM do Cávado) vieram cerca de um milhão e 600 mil euros. E para Braga, mais concretamente para os TUB, vieram cerca de 800 mil euros.

DM – E como é que a verba chegou aos cidadãos?
TS – Arranjamos uma forma de empregar esta verba e foi implementado no prazo estipulado, que foi no dia 1 de abril. Assim, desde o primeiro de Abril, decidimos fazer um desconto de 16 por cento a todos os utilizadores de passes sociais. Foi uma redução significativa, que todos os detentores de passes bneficiaram.

DM – Uma das marcas atuais dos TUB são as parcerias com diferentes empresas e instituições. O que os TB ganham com isso?
TS – Trabalhamos cada vez mais em redes, quer com as universidades e outras instituições de ensino superior, quer com outras de fora, com as empresas. Nesta partilha de informações e de conhecimentos, todos ganhamos: aumentamos os nossos conhecimentos, as nossas decisões são melhores e como tal esta forma de trabalhar vai continuar. Recorde-se que, no âmbito destas parcerias, uma das mais próximas é o apoio ao 2.º Trail dos Bombeiros Voluntários de Braga, no dia 5 de maio. Mas também há parcerias com os Sapadores.

Autocarro do circuito turístico de Braga mais do que duplicou na Semana Santa

Diário do Minho (DM) – Por ocasião das festividades da Quaresma e Semana Santa de Braga, um dos serviços em destaque foi o do autocarro turístico. Não sei se tem números concretos, mas qual é o balanço que faz?
Teotónio Santos (TS) – A cidade de Braga está cada vez mais voltada para o exterior e está de portas abertas ao mundo. Felizmente, são cada vez mais aqueles que nos visitam e vêm de todo o mundo. Quanto ao serviço do circuito turístico na Semana Santa de Braga, o que posso dizer é que correu muito bem. Os dados que temos é que mais do que duplicamos os passageiros, em relação ao ano passado. Aliás, podemos acrescentar que este foi, sem dúvida, o melhor ano de sempre, em termos de circuito turístico.

DM – O que significa que é para continuar.
TS – Estamos mais do que confiantes que Braga possa continuar a ser um dos grandes destinos turísticos nos próximos anos, com tendência para aumentar. Aliás, não somos só nós a dizer. Por isso, sendo um projeto de suceso, diria que é obviamente para manter».

DM – O autocarro e o serviço turístico vão fazer agora uma pausa. Quando é que regressam?
TS – Sim. Com o encerramento das celebrações da Semana Santa, o serviço é suspenso e só regressará em finais de junho, mais precisamente depois de S. João.

DM – Nessa altura regressa também a linha para a Praia de Adaúfe.
TS – Precisamente. É outro serviço em que temos apostado de há uns anos a esta parte e que tem sido bem sucedido. É um circuito muito procurado pelos banhistas que também tem ajuda a valorizar o território. Recorde-se que a Praia fluvial de Adaúfe, que nos últimos anos tem recebido o galardão de Bandeira Azul, tem sido cada vez mais procurada por veraneantes da região de Braga e não só criando uma grande confusão no trânsito naquelas imediações. Daí a decisão da Câmara Municipal de Braga e da administração dos Transportes Públicos de Braga em criar um circuito para aquele espaço balnear. Uma medida que, para além dos ganhos para os próprios banhistas, que desta forma perdem menos tempo no trânsito, tem ganhos para o ambiente, uma vez que retira centenas de viaturas da estrada, diminuindo a poluição.

“ENTREVISTA: TEOTÓNIO ANDRADE DOS SANTOS: TUB: “COM POUCO FIZEMOS MUITO””

Os Transportes Urbanos de Braga vão apresentar os primeiros autocarros eléctricos da sua frota, aproveitando a Semana da Mobilidade. Sem apoios do Estado, o administrador dos TUB, Teotónio Andrade dos Santos assinala o esforço sem mexer em tarifários, para renovar os autocarros, recuperar clientes, equilibrar as contas, criando um ecossistema de mobilidade que concorra com o automóvel.

“Os TUB apresentaram durante muito tempo resultados líquidos negativos. Invertemos a situação nos últimos anos, mas não conseguimos libertar recursos para uma frota nova”.

“Os TUB foram a única empresa que em Portugal – nos últimos cinco anos – aumentou consecutivamente o número de passageiros transportados, aumentou o volume de negócios, conseguiu resultados líquidos positivos, a empresa reinventou-se.”

Link para a entrevista completa: https://goo.gl/XxPfVK
Entrevista disponível em video: https://goo.gl/r4zChE

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