Nova gestão dos parquímetros dá rotatividade a estacionamento

EUB completou já um mês de gestão do estacionamento pago nas ruas da cidade de Braga. Actuação da empresa municipal de transportes passa, para já, com avaliação positiva.

Estacionar o carro nas mais de quatro dezenas de artérias da cidade de Braga reguladas por parquímetros tornou-se mais fácil desde o final do ano passado, altura em que a empresa Transportes Urbanos de Braga (TUB), através de um novo departamento, assumiu a gestão do estacionamento de duração limitada.

Sete agentes da Estacionamentos Urbanos de Braga (EUB) fiscalizam o tempo de paragem pago num perímetro da cidade alargado no início de Dezembro de 2019, ao mesmo tempo que a Câmara Municipal baixou de um euro para 80 cêntimos a taxa horária de estacionamento.

Com a efectiva fiscalização do estacionamento regulado por parquímetros passaram a surgir lugares disponíveis nas ruas mais centrais da cidade, algo que é visto como positivo pela direcção da Associação Comercial de Braga (ACB).

Rui Marques, director geral da ACB, diz ao Correio do Minho que o melhor sinal de que a transferência da gestão dos parquímetros para a empresa municipal de transportes pública foi uma boa opção “é as pessoas não falarem do assunto”.

“Nem as empresas nem os consumidores se têm manifestado, sinal de que as coisas estão a funcionar” em termos de rotatividade do estacionamento no centro comercial e de serviços de Braga, alega aquele responsável numa apreciação que é secundada por gestores e trabalhadores de pequenas empresas ouvidos ontem pelo Correio do Minho.

Carla Correia, proprietária de um talho num troço da Rua 25 de Abril que, em Dezembro de 2019, voltou a ser abrangida por parquímetros, diz-nos que o estacionamento pago é positivo para “as pessoas não deixarem o carro estacionado de manhã à noite”. Recorda que sem parquímetros nesta artéria “não havia lugares para estacionar”, situação que dificultava o acesso de consumidores ao seu estabelecimento. Na mesma rua, onde estão localizados o Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga e a Escola Secundária Sá de Miranda, Teresa Marques, proprietária de um quiosque, entende que, apesar do regresso dos parquímetros, “manteve-se a confusão habitual no estacionamento”.

Na vizinha Rua de Damão, a funcionária de um pequeno parque de estacionamento privado, Luísa Pinto, constata que o negócio da empresa decresceu. “Quando a rua estava cheia, vinha muita gente para o parque, agora são muitos menos”, explica.

A Rua de S. André foi outra das que voltou a ter parquímetros a funcionar, opção que merece o apoio de Artur Oliveira, funcionário de um restaurante ali instalado. “Para o comércio é fantástico. Estou contra os que estacionavam aqui o dia todo”, diz-nos, apesar de ele próprio ter de procurar alternativas grátis de estacionamento em zona mais periférica da cidade.

Na mesma artéria, Carlos Esteves, proprietário de uma farmácia, entende também que os parquímetros “fazem falta, se não as ruas ficam cheias e o comércio local perde”, sugerindo, no entanto, que os primeiros dez ou quinze minutos “sejam gratuitos ou com tarifa reduzida” para facilitar o acesso de clientes aos estabelecimentos comerciais e de serviços.

Noutro ponto da cidade, um troço da Rua D. Frei Caetano Brandão voltou também a ter parquímetros activos. Fernando Silva é lá residente. “Já temos avença há 20 anos, nunca deixámos de pagar, mesmo com a suspensão dos parquímetros. Os moradores entregaram um abaixo assinado na Câmara Municipal para a reposição do estacionamento pago. Foi o melhor que podiam ter feito. Agora conseguimos ter lugar”, declarou.

Na mesma rua, Gisela Barros, empresária, tem avaliação contrária sobre a opção camarária. “Agora é a caça à multa. Mudeime para aqui em Novembro, acho ridículo ter de pagar com avença ou não”, disse-nos, considerando que, no que ao estacionamento automóvel diz respeito, “quem vive no centro está tramado”.

@Correio do Minho, 10 de janeiro de 2020