Kiss & Go visa garantir o acesso de 50 automóveis em cada 10 minutos

O Kiss & Go é outro dos projetos implementados pelo Município de Braga com o objetivo de melhorar a segurança, acesso e mobilidade às zonas escolares.

A iniciativa, nasce de um conceito internacional adoptado por várias cidades com impacto positivo, que consiste na reserva de lugares de paragem destinados unicamente à tomada e largada de crianças. Os automóveis devem parar apenas durante um minuto, estimando-se que neste período de tempo, as crianças saiam do automóvel com as mochilas, sem que o condutor desligue o motor, de maneira a que fique assim assegurada a reserva do lugar para o veículo seguinte.

Estes lugares estão devidamente sinalizados e pintados de azul para que surtam maior efeito nos automobilistas e seja bem perceptível a sua função.

Por cada cinco lugares demarcados, cumprindo-se o tempo estipulado de um minuto, garante-se o acesso a cerca de 50 automóveis em cada 10 minutos aumentando o fluxo de trânsito e a segurança rodoviária junto das escolas.

«No que respeita ao “Kiss &Go” tenho que admitir que temos dificuldades de recursos para andar permanentemente a vigiar e a contra-ordenar todos aqueles que prevaricam, mas sublinho que o grande problema aqui é o comportamento cívico das pessoas», sustenta Miguel Bandeira.

Também o vereador da Gestão e Conservação do Espaço Público. João Rodrigues considera que «o Kiss &Go poderia funcionar melhor, mas têm que ser cumpridas regras, a par de mais fiscalização e de uma mudança de comportamento das pessoas».

Os vereadores Miguel Bandeira e João Rodrigues apontam os projetos School Bus e Kiss &Go como sendo mais um esforço no sentido de resolver o caótico trânsito no perímetro que circunda as escolas e uma forma de privilegiar o público escolar, que ambos consideram ser «o foco transformador para a necessária mudança na mobilidade e no trânsito».

Em articulação com estas medidas e tendo como objetivo este mesmo público, também os TUB têm em processo, desde 2015, uma campanha designada “Transportes e Cidadania”, uma iniciativa voltada para a mobilidade sustentável junto dos mais jovens, que implica todo um plano e formação destinado às escolas, que visa sensibilizar para a utilização dos transportes públicos e incutir boas práticas de segurança.

«Notamos que esta é uma campanha que leva o seu tempo, pois é uma questão de formação, de educação para a mobilidade e de implementação de novos hábitos, mas o facto é que já temos resultados positivos, que se traduzem em mais clientes», avançou o administrador dos TUB, Teotónio dos Santos.

Semana da Mobilidade incentivou “caminhar e pedalar em segurança”

“Caminhar e Pedalar em Segurança” foi o tema da Semana Europeia da Mobilidade (SEM), iniciativa quer decorreu no mês de setembro, e à qual o Município de Braga se associou mais uma vez com realização de um conjunto de atividades tendo em vista sensibilizar os cidadãos para a mudança de comportamentos no que se refere às opções de mobilidade.

Miguel Bandeira realça que o foco, além das intervenções físicas em curso, se encontra na promoção de uma consciência para a adoção de novos modos de mobilidade e para o aumento da segurança rodoviária.

«Ao contrário do que alguns possam pensar, esta não foi a semana da mudança, mas sim um período de sensibilização que temos vindo a fazer todos os anos com crescente sucesso, e cada vez com mais adesão de atores e protagonistas, desde os TUB às escolas, à vereação da Educação, à vereação da Mobilidade, as forças de segurança e as associações e autarquias. Nós sabemos que é através destas ações de sensibilização que vamos tornando certas práticas, como por exemplo o encerramento de ruas, como uma prática que mais anos menos anos necessariamente terá que ser uma realidade», afirmou, apontando o papel determinante da ACAPO e da Associação Braga Ciclável, enquanto interlocutoras.

Em jeito de conclusão, Miguel Bandeira alerta, porém, que «não é preciso não cair em fundamentalismos, pois é óbvio que o carro tem que continuar».

«Só não pode circular com os índices de expectativa que muita gente pretende. Não é possível que cada casa do centro histórico tenha uma garagem automóvel e muitos operadores insistem muitas vezes numa necessidade que é uma cidade que vai à revelia dos nosso tempos e não está a contribuir para aquela em que todos temos que participar. Estamos construir o futuro, mas nunca há conclusão. Esta é uma matéria infindável», afirmou.

Parte deste texto foi já publicada na edição de setembro da revista “Minha”