Gestão do estacionamento deve traduzir-se em apoio à mobilidade sustentável

Durante a apresentação da nova área de negócios dos TUB, o presidente da Câmara de Braga Ricardo Rio vincou que a atribuição desta valência aos TUB tem um alcance bem maior, que se prende com a sustentabilidade ambiental e a promoção da mobilidade urbana. Segundo o edil o objetivo é que« a gestão do estacionamento seja um mecanismo de apoio à mobilidade e a melhores serviços de transporte».

A propósito dos entraves que as dificuldades de estacionamento representam para a mobilidade, Teotónio dos Santos afirmou, em entrevista, que o transporte individual está estacionado 90% do tempo e o transporte comercial 60%.

O administrador dos TUB afirmou que o estacionamento em segunda fila penaliza fortemente a circulação e a velocidade comercial dos autocarros, adiantando ainda que os estudos demonstram que a dificuldade de aparcamento à superfície faz com que os condutores particulares façam diariamente uma média de 4,5 kms à procura de estacionamento na cidade, o que causa ainda mais constrangimentos à circulação, dificultando sobremaneira o acesso ao centro urbano.

«Admitimos que a cidade cresceu orientada para o transporte individual, como comprova, desde logo, a construção de milhares de lugares de estacionamento em parques no centro. O transporte individual desloca- -se no sentido do centro para estacionar, criando mais congestionamento», avançou.

A circulação dos autocarros dos TUB é por isso mais dificultada em alguns troços, desde logo aqueles que estão diretamente relacionados com o crescimento da cidade, havendo zonas nevrálgicas que são apontadas pelos motoristas como fonte de “dores de cabeça”, “stress” e eventuais atrasos nos transportes coletivos bracarenses.

«Quem quer aceder a Norte, a partir da Senhora-a-Branca ou da Avenida Central tem duas alternativas: ou vai pela rua de Santa Margarida, e vai esbarrar na congestionada Rotunda de Infias, ou vai subir a Rua dos Chãos, que sofre um estrangulamento do trânsito a Norte, fruto do deficiente urbanismo na zona do Largo dos Penedos. Em particular este último percurso é muito percorrido pelos autocarros dos TUB. A estes “pontos negros” para nós juntam-se outros, como a Avenida Padre Júlio Fragata, a zona junto à Universidade do Minho, sobretudo, nas horas de ponta, ou a zona do Colégio João Paulo II, em Dume, nos horários de entrada e saída dos alunos», exemplificou Teotónio dos Santos, adiantando que os TUB têm vindo, a analisar estes troços mais complicados em articulação com o Município, apresentando um conjunto de soluções que serão aplicadas na Rotunda de Infias, a título de exemplo, bem como nas “Zonas 30”.

Segundo Teotónio dos Santos em plena hora de ponta circulam pelo concelho 111 veículos dos TUB, incluindo no centro urbano, estando sujeitos a atrasos variáveis mediante o trânsito, apesar dos horários terem sido desenhados tendo em conta a real situação do tráfego e a eventualidade de atrasos.

«Tentamos adotar formas de garantir a execução dos horários de maneira a não prejudicar os passageiros, porém em vias estruturantes quando há um carro mal estacionado ou um acidente, ou basta uma avaria, para bloquear a cidade e condicionar uma série de linhas, causando um sem número de derivações ao longo da rede, fruto de uma situação, por vezes mínima, naquele troço», expôs o administrador.

Teotónio dos Santos lembra que a necessidade de acesso ao centro de Braga tem também aumentado fruto do crescimento da economia e do fenómeno da imigração, congestionando cada vez mais o trânsito e levando a empresa municipal a enveredar por uma campanha de transição para o transporte público coletivo e de captação de clientes, que se traduziu no aumento de 17% de passageiros desde 2013.

«E continuamos a melhorar as nossas linhas e a investir na oferta para tentar captar mais pessoas, evitando a utilização do transporte individual. Só no final deste ano teremos mais quase dois milhões de clientes do que tínhamos há seis anos atrás, fruto da melhoria de oferta, do congelamento dos tarifários e inclusivamente da redução que houve este ano», revelou.

Segundo o administrador, até ao final de 2020 Braga terá 32 autocarros novos, sete dos quais chegarão logo em inícios de 2020, aguardando-se que ao longo do ano a eles se juntem outros.