“TUB assumem fiscalização de 44 ruas”

“Os Transportes Urbanos de Braga (TUB) assumem, a partir de novembro, a gestão do estacionamento de superfície em Braga, encarregando-se da fiscalização de 44 ruas e 1900 lugares com parcómetros na cidade, ou seja, mais 11 ruas e 500 lugares do que os atuais.

Os preços por hora sofrerão, contudo, uma redução, passando de um euro para 80 cêntimos, numa medida que visa libertar a Polícia Municipal para outras tarefas, e que se traduzirá num aumento de receitas para os TUB, que investirão as receitas arrecadadas na melhoria dos serviço de transporte públicos.

O vereador da Gestão e Conservação do Espaço Público, João Rodrigues, salvaguarda que “na alçada da Câmara Municipal e, logo, do seu pelouro, continua a capacidade de definir quais são as ruas onde se paga ou não e quais as exceções, mas o facto da fiscalização passar para os TUB permite que se reverta o montante arrecadado para reinvestir em mobilidade”.

“Hoje a Polícia Municipal perde metade do seu tempo a fiscalizar o estacionamento pago enquanto podia ganhar a totalidade a fiscalizar o estacionamento em segunda fila, em que os TUB não terão qualquer intervenção”, sustenta João Rodrigues.

A este propósito, o vereador Miguel Bandeira “não tem dúvidas” de que a transição para os TUB permitirá um efetivo melhoramento da mobilidade na cidade, permitindo à Câmara poder voltar a intervir diretamente no estacionamento, aspeto que até há pouco tempo lhe estava vedado no centro da cidade devido à privatização.

Para Miguel Bandeira “Braga não tem falta de estacionamento” e é inclusivamente “uma das cidades que tem uma maior relação de lugares de estacionamento por habitante no centro”, mas os preços e os sistemas de rotatividade não vão ao encontro do interesse público.

Também o administrador executivo dos TUB, Teotónio dos Santos, vê com esperança a atribuição destas novas competências e adianta que será criada uma equipa para o efeito, implicando a contratação de seis pessoas numa primeira fase.

Em entrevista à Revista Minha, Teotónio dos Santos apontou o estacionamento desregrado e em segunda fila como uma das principais barreiras ao trânsito dos transportes públicos passageiros no centro de Braga.

“Fruto da dificuldade da Polícia Municipal em fiscalizar o estacionamento à superfície, temos verificado que o incumprimento é muito grande e o estacionamento em segunda fila tem vindo a aumentar exponencialmente.

Pensamos que com a melhoria da gestão do estacionamento, fruto de uma maior fiscalização, aliada ao progresso da oferta do transporte público, podemos vir a gerar uma mudança para melhor na fluidez do trânsito”, considerou o gestor.

Adiantando que o transporte individual está estacionado 90% do tempo e o transporte comercial 60%, Teotónio dos Santos afirmou que o estacionamento em segunda fila penaliza fortemente a circulação e a velocidade comercial dos autocarros, adiantando ainda que os estudos demonstram que a dificuldade de aparcamento à superfície faz com que os condutores façam diariamente uma média de 4,5 kms à procura de estacionamento na cidade, o que causa ainda mais constrangimentos à circulação, dificultando sobremaneira o acesso ao centro urbano.

“Admitimos que a cidade cresceu orientada para o transporte individual, como comprova, desde logo, a construção de milhares de lugares de estacionamento em parques no centro. O transporte individual desloca- -se no sentido do centro para estacionar, criando mais congestionamento”, avançou.

A circulação dos autocarros dos TUB é por isso mais dificultada em alguns troços, desde logo aqueles que estão diretamente relacionados com o crescimento da cidade, havendo zonas nevrálgicas que são apontadas pelos motoristas como fonte de “dores de cabeça”, “stress” e eventuais atrasos nos transportes coletivos bracarenses.

“Quem quer aceder a Norte, a partir da Senhora-a-Branca ou da Avenida Central, tem duas alternativas: ou vai pela Rua de Santa Margarida, e vai esbarrar na congestionada Rotunda de Infias, ou vai subir a Rua dos Chãos, que sofre um estrangulamento do trânsito a norte, fruto do deficiente urbanismo na zona do Largo dos Penedos.

Em particular este último percurso é muito percorrido pelos autocarros dos TUB. A estes pontos negros para nós juntam-se outros, como a Avenida Padre Júlio Fragata, a zona junto à Universidade do Minho, sobretudo nas horas de ponta, ou a zona do Colégio João Paulo II, em Dume, nos horários de entrada e saída dos alunos”, exemplificou Teotónio dos Santos, adiantando que os TUB têm vindo a analisar estes troços mais complicados em articulação com o Município, apresentando um conjunto de soluções que serão aplicadas na Rotunda de Infias, a título de exemplo, bem como nas Zonas 30.

Segundo Teotónio dos Santos, em plena hora de ponta circulam pelo concelho 111 veículos dos TUB, incluindo no centro urbano, estando sujeitos a atrasos variáveis mediante o trânsito, apesar dos horários terem sido desenhados tendo em conta a real situação do tráfego e a eventualidade de atrasos.

“Tentamos adotar formas de garantir a execução dos horários de maneira a não prejudicar os passageiros, porém, em vias estruturantes, quando há um carro mal estacionado, um acidente, ou uma avaria, ficam condicionadas várias linhas, causando um sem número de derivações ao longo da rede”.

Mais 17% de utilizadores em seis anos Teotónio dos Santos lembra que a necessidade de acesso ao centro de Braga tem também aumentado, fruto do crescimento da economia e do fenómeno da imigração, congestionando cada vez mais o trânsito e levando a empresa municipal a enveredar por uma campanha de transição para o transporte público coletivo e de captação de clientes, que se traduziu no aumento de 17% de passageiros desde 2013.

“E continuamos a melhorar as nossas linhas e a investir na oferta para tentar captar mais pessoas, evitando a utilização do transporte individual. Só no final deste ano teremos mais quase dois milhões de clientes do que tínhamos há seis anos, fruto da melhoria de oferta, do congelamento dos tarifários e inclusivamente da redução que houve este ano”, revelou.

De acordo com o administrador, os novos “eco-veículos” dos TUB realizaram um percurso de 200 mil kms num ano, com um consumo de energia que representou uma poupança de mais de 50% comparativamente a um veículo diesel.

“São tecnologias novas e tivemos alguns problemas que estamos a tentar mitigar para que a geração futura dos novos elétricos já consiga responder a problemas como a capacidade das baterias e a questão dos carregamentos”, adiantou, acrescentando que “o feedback por parte dos clientes é muito positivo”.

Os procedimentos para a aquisição de mais sete veículos elétricos e mais 25 a gás já estão em curso, estando a ser ultimada a questão do investimento financeiro.

School Bus e Kiss &Go ajudam a “salvar” trânsito no perímetro das escolas Este ano letivo 2019/2020, o Município de Braga, em parceria com os TUB, volta a promover o projeto School Bus, que visa reduzir o congestionamento automóvel no perímetro das escolas da malha urbana da cidade.

Implementado no ano lectivo transato, o School Bus visa ainda a promoção da mobilidade sustentável, da segurança e da qualidade de vida na envolvente das escolas e nos percursos casa-escola, incentivando ao uso de meios de transporte mais sustentáveis.

Este ano o projeto abrange os seguintes estabelecimentos de ensino: EB 2,3 Francisco Sanches, EB 2, 3 André Soares, Colégio Leonardo da Vinci, Colégio D. Diogo de Sousa, Colégio Teresiano e o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian.

No ano passado, o School Bus teve a adesão de mais de 400 alunos e conseguiu retirar cerca de 170 veículos das imediações das escolas, representando uma poupança diária calculada de 14 km por cada veículo. Em termos de emissões, a poupança ascendeu a cerca de 165 toneladas de CO2/ano lectivo.

“Neste momento aponta-se para a capacidade do School Bus acolher quase 450 crianças e jovens. Mantêm-se as mesmas zonas. Mas é importante não confundir: o School Bus não é um dispositivo para substituir o transporte escolar, que tem uma dimensão social inalienável e que nós apoiamos e empenhamo-nos de um modo muito firme e veemente”, esclareceu o vereador Miguel Bandeira, justificando que “o School Bus foi criado para impedir os chamados pontos negros de congestionamento junto às escolas”.

O serviço foi avaliado pelas famílias como “muito bom/ excelente” e as próprias escolas veem com agrado a iniciativa, realçando o seu caráter educativo na criação de hábitos de mobilidade e comportamentais.

“Nós estamos em condição de poder atingir, no final deste ano – só depois é que avaliaremos – 374 veículos retirados da via pública sobretudo com as implicações que eles têm, também indiretas, ao nível do congestionamento de trânsito em Braga”, esclareceu, adiantando que, sendo o School Bus um dos projectos inseridos no BUIL – Laboratórios Urbanos para a Descarbonização, financiado pelo Fundo Ambiental, a Câmara Municipal de Braga está obrigada à apresentação de resultados em termos de descarbonização, dando resposta aos requisitos da União Europeia, que tem sistemas de observação cada vez mais rigorosos a esse nível.

O Kiss &Go é outra das medidas implementadas pelo Município de Braga com o objetivo de melhorar a segurança, acesso e mobilidade às zonas escolares.

A iniciativa nasce de um conceito internacional adotado por várias cidades com impacto positivo, que consiste na reserva de lugares de paragem destinados unicamente à tomada e largada de crianças. Os automóveis devem parar apenas durante um minuto, estimando-se que, neste período de tempo, as crianças saiam do automóvel com as mochilas, sem que o condutor desligue o motor, de maneira a que fique assim assegurada a reserva do lugar para o veículo seguinte.

Por cada cinco lugares demarcados, cumprindo-se o tempo estipulado de um minuto, garante-se o acesso a cerca de 50 automóveis em cada 10 minutos aumentando o fluxo de trânsito e a segurança rodoviária junto das escolas.

João Rodrigues considera que o Kiss &Go “poderia funcionar melhor, mas têm que ser cumpridas regras, a par de mais fiscalização e de uma mudança de comportamento das pessoas”.

Os vereadores Miguel Bandeira e João Rodrigues apontam os projetos School Bus e Kiss &Go como sendo mais um esforço no sentido de resolver o caótico trânsito no perímetro que circunda as escolas e uma forma de privilegiar o público escolar, que ambos consideram ser “o foco transformador para a necessária mudança na mobilidade e no trânsito”.

Em articulação com estas medidas e tendo como objetivo este mesmo público, também os TUB têm em processo, desde 2015, uma campanha designada Transportes e Cidadania, uma iniciativa destinada às escolas que visa sensibilizar para a utilização dos transportes públicos e incutir boas práticas de segurança.

Em jeito de conclusão, Miguel Bandeira alerta, porém, que “é preciso não cair em fundamentalismos, pois é óbvio que o carro tem que continuar”.

“Só não pode circular com os índices de expectativa que muita gente pretende. Não é possível que cada casa do centro histórico tenha uma garagem automóvel e muitos operadores insistem muitas vezes na necessidade de uma cidade que existiria à revelia dos nossos tempos e não está a contribuir para aquela em que todos temos que participar. Estamos construir o futuro, mas nunca há conclusão. Esta é uma matéria infindável”, afirmou.

in Minha, 11/10/2019 #recortesdeimprensa #tub #braga #mobilidade #sustentável