“Mobilidade eléctrica ainda não é eficiente para haver frotas exclusivas”

“PRESIDENTE DA ARRIVA PORTUGAL considera que a mobilidade eléctrica ainda não é eficiente o suficiente para se constituírem frotas exclusivas de autocarros eléctricos.”

“A mobilidade eléctrica é o futuro, mas ainda não é o presente.

Os autocarros eléctricos podem ser mais eficientes em termos de emissões de poluentes, mas ainda não respondem às necessidades dos serviços prestados pelas empresas de transportes públicos de passageiros. Quem o afirma é Manuel Oliveira, presidente da Arriva Portugal, o convidado de ontem da iniciativa ‘Pequeno-almoço com..’ dinamizada pelos Transportes Urbanos de Braga (TUB).

Os TUG – Transportes Urbanos de Guimarães foram a primeira empresa a operar o primeiro autocarro eléctrico português e Manuel Oliveira não esconde que foi necessário “ter um autocarro tradicional de suplemente” para responder às falhas do novo veículo. Recorde-se que a concessão dos TUG está entregue à Arriva.

Manuel Oliveira recorda que ainda não uma rede integral de autocarros eléctricos em qualquer país, isto porque o modelo ainda tem falhas e está a ser adaptado às necessidades do mercado. Sendo que a principal questão se prende precisamente com o facto de estes veículo não terem autonomia suficiente em termos de bateria para as necessidades.

“É óbvio que a mobilidade eléctrica é o futuro e que até podemos trabalhar para esse futuro chegar mais rápido, porém há um caminho que temos obrigatoriamente de percorrer e que leva o seu tempo”, referiu, realçando que vê com bons olhos a introdução de autocarros eléctricos nas frotas, mas de forma gradual.

Nessa linha, acha que a opção anunciada pelos TUB de se reforçarem com 14 autocarros a diesel ou gás, além dos seis eléctricos, é a melhor.

Na sua intervenção ficou patente que não concorda com a posição já tomada pelo edil de Guimarães que no próximo concurso para a concessão dos TUG pretende ter uma frota integralmente eléctrica.“Eu já lhe disse aquilo que penso, mas ele é que tem o direito de decidir o que entender.

Agora que é uma opção economicamente desastrosa, é. Se é incomportável, já não sei porque a Câmara de Guimarães é que sabe os meios que tem”.”

“Novo regime jurídico”

“Manuel Oliveira preocupado com fragmentação”

“O presidente da Arriva Portugal, Manuel Oliveira, confessou ontem que está “muito preocupado” com o que irá acontecer depois de 3 de Dezembro de 2019 no sector dos transportes públicos.

Nessa data entra em vigor o novo Regime Jurídico do Serviço Público do Transporte de Passageiros “e ainda ninguém sabe o que vai acontecer”.

“Se os políticos fragmentarem o território não se vai olhar para a mobilidade integrada”, alerta o presidente da Arriva, que se diz “preocupado, não como operador porque o volume de trabalho dos autocarros vai aumentar drasticamente, mas porque esse aumento vai acontecer à custa de custos absolutamente incomportáveis e desnecessários”, alertou.

No âmbito do novo regime legislativo, os municípios minhotos optaram por se constituírem como autoridades de transporte em vez de delegarem essa competência a nível superior, concretamente nas CIM. “Ou seja, cada autarquia só terá competência para actuar no seu território. Terá de haver entendimentos caso a caso para situações de linhas que passem por dois ou mais concelhos”, exemplifica. Isto é um retrocesso porque não se vai planear a nível regional.”

in Correio do Minho, 15/06/2018 #TUB #mobilidade #sustentável #recortesdeimprensa