“Empresas de Braga chamadas a financiar projetos de inovação social”

“Município desenvolveu um Plano integrado para a inovação social do concelho, que inclui a criação de uma Rede Social, e consequentemente, de e um fundo para suportar o empreendedorismo nesta área”

“O Município de Braga apresentou, ontem, o Plano de Ação Integrado para a Inovação Social do Concelho. O Plano prevê a a constituição de uma Rede Social Municipal que envolverá o tecido empresarial, as entidades públicas e instituições de ensino, como agentes financiadores e catalisadores de projetos na área social.”

“O Município de Braga está a desafiar empresas, entidades públicas e instituições do saber do concelho, a assumirem-se como agentes financiadores e catalizadores de projetos de empreendedorismo e inovação social. O desafio integra-se no Plano Integrado para a Inovação Social do Concelho de Braga que, ontem, foi apresentado no âmbito do Fórum de Inovação Social, que decorreu no Auditório Vita, sob o tema “Boas Práticas no Financiamento das Iniciativas de Impacto”.

Durante o fórum foi analisada a temática do financiamento da inovação social, as necessidades de capacitação do setor e o papel que as empresas, setor público e social desempenham na resolução dos desafios que a sociedade hoje apresenta.

Para o presidente da Câmara de Braga o Plano Integrado para a Inovação Social do Concelho, que resulta de dois anos e meio de trabalho intensivo, é verdadeiramente «um plano estratégico ambicioso e abrangente», que será desenvolvido ao longo dos próximos anos e que vai ter como ponto de partida, no imediato, a constituição de uma Rede Social Municipal.

«Nós queremos envolver nesta Rede Social Municipal não só as entidades públicas, as instituições de cariz social, mas também as próprias instituições de saber, as universidades, enquanto suporte para observatórios. Também as empresas são chamadas a integrar a rede enquanto agentes financiadores e catalisadores destes projetos e dos novos projetos de empreendedorismo e de inovação social», revelou.

Segundo Ricardo Rio o Plano Integrado para a Inovação Social passa ainda pela criação de um Fundo de Investimento Social para apoiar projetos nos mesmos moldes que os existentes na Startup Braga, mas que apoiem projetos de empreendedorismo empresarial.

«A lógica será a mesma, só que orientada para projetos de empreendedorismo de inovação social, que têm condições e circunstâncias mais específicas do ponto de vista da concretização», esclareceu o edil.
De acordo com Ricardo Rio o objetivo é que haja a mesma lógica de acompanhamento dos promotores desses projetos, mas para tal é imprescindível que haja recursos disponíveis para o seu desenvolvimento.

«E isso terá de passar muito pelo envolvimento das empresas, tanto das que estão cá hoje, como das que nós queremos asbém as empresas são chamadas a integrar a rede enquanto agentes financiadores e catalisadores destes projetos e dos novos projetos de empreendedorismo e de inovação social», revelou.

Segundo Ricardo Rio o Plano Integrado para a Inovação Social passa ainda pela criação de um Fundo de Investimento Social para apoiar projetos sociar, e que são empresas com impacto social na nossa comunidade», revelou Ricardo Rio.

Seis empresas de Braga distinguidas

Neste momento há já seis empresas aptas a participar nesta rede social do Concelho, empresas essas que participaram, nos passados dias 15 e 16 de março, numa formação executiva dirigida a colaboradores de empresas com compromissos nas áreas de responsabilidade social, marketing ou desenvolvimento de produto.

A formação em causa destinou-se a capacitar as empresas para que estas possam intervir e investir, criando mais impacto de diferentes formas, designadamente através de projetos internos, trabalho pro bono, voluntariado técnico ou investimento social.

Ontem estas seis empresas, designadamente as Balanças Marques, a Primavera Software, a Bernardo da Costa Segurança, a Cachapuz, a F3M e os TUB foram distinguidas pela autarquia, tendo Ricardo Rio confirmado que «há outras no concelho que também já merecem este título» e que poderão juntar-se à rede social do concelho.

O Plano de Ação Integrado para a Inovação Social do Concelho de Braga foi ontem revelado ao público ao pormenor por Carlos Santos, que, de uma forma sucinta, esclareceu que «o objetivo geral é propor às organizações de Braga que sejam elas sociais, corporativas ou mesmo movimentos de cidadãos que experimentem a inovação social».

O Plano pretende assim criar as condições de base para que o ecossistema possa, de alguma forma, ser sustentável e que o sistema empresarial chamado a investir possa ter investimento e retorno na área da inovação social.

«Queremos fazer com que as empresas possam, de alguma forma, ser mentores, tutores e financiadores desta iniciativa e que se aproximem das cidades onde estão a operar», afirmou Carlos nanciar projetos de inovação social e um fundo para suportar o empreendedorismo nesta área António Silva Santos, recordando que há aqui toda uma lógica de retribuição.

«As empresas utilizam recursos da cidade. Utilizam colaboradores, recursos ambientais, energias e portanto neste século XXI, devem ser responsáveis pelas cidades que as acolhem. E esta é uma chamada de atenção para que o sejam, mas que também tenham um retorno do seu investimento», esclareceu Carlos Santos.

As possibilidades são várias e incluem o desenvolvimento de uma moeda social, bem como a criação de um mercado social em que os produtores possam vender diretamente os seus produtos, que estimule a economia local, que regenere todas as freguesias da cidade de Braga.

«O objetivo é que as pessoas tenham a oportunidade de fazer coisas que neste momento sonham, mas que não têm condições de fazer», argumentou.

Bolo financeiro precisa de mais empresas

Ao todo foram nove as entidades da Rede Social de Braga que participaram na segunda edição do Bootcamp em Empreendedorismo Social, uma formação intensiva que teve como público-alvo dirigentes e técnicos de instituições da Rede Social de Braga, que irão desenvolver projetos de inovação e empreendedorismo social.

Dos nove projetos, ontem foram escolhidos trêsque serão financiados pela Câmara Municipal de Braga, no valor monetário de 5 mil euros cada um, sendo um quarto projeto financiado pelas empresas que participaram na formação.

No que respeita à formação dirigida às empresas do concelho, foram seis as empresas que participaram, mas Carlos Santos realçou, ontem, que para criar este Fundo Social Responsável são necessárias» muitas mais».

«Tanto maior será o impacto desta iniciativa, quanto mais forem as empresas dispostas a investir neste bolo financeiro, que vai depois possibilitar com que haja formação, iniciativas empreendedoras e atividades de inovação social na cidade», afirmou, acrescentando-se que trata-se de fazer com que «a economia local financie o desenvolvimento social da cidade de Braga».