“Quadrilátero com bilhética comum até final de 2019”

“MUNICÍPIOS de Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos deverão adoptar sistema de bilhética comum aos operadores de transporte de passageiros.”

Os quatro municípios que integram o Quadrilátero Urbano deverão operacionalizar, até final de 2019, um sistema integrado de bilhética para os operadores de transportes públicos de passageiros, adiantou ontem o presidente da Câmara Municipal de Braga.

Ricardo Rio falava à margem do seminário ‘Transportes: Contratualização’, que se realizou no Bom Jesus, iniciativa da ‘Transportes em Revista’ para análise da aplicação do Regime Jurídico do Serviço Público de Transporte de Passageiros, em vigor desde 2015.

A nova legislação atribui às autarquias o papel de autoridades de transportes com competências ao nível dos serviços públicos de transportes de passageiros.

O edil bracarense referiu que as câmaras municipais de Braga, Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Barcelos estão a identificar soluções para a implementação de um sistema de bilhética comum, a par da reestruturação da oferta de transporte público nos quatro concelhos, trabalho que está a ser feito no âmbito das comunidades intermunicipais do Cávado e Ave.

Falando na qualidade de presidente da CIM Cávado, Ricardo Rio sublinhou que esta Comunidade Municipal é das que está mais avançada no desenho das redes de transporte de passageiros e definição das obrigações de serviço público que serão colocadas aos operadores.

Numa primeira fase, o trabalho da CIM enquanto autoridade de transporte intermunicipal foi fazer o apuramento real da oferta de transporte público.

Na abertura do seminário ‘Transportes: Contratualização’, o director da ‘Transportes em Revista’, José Monteiro Limão, lamentou que o poder central nada tenha feito em oito anos para implementar o novo regime jurídico, restando às câmaras e comunidades intermunicipais menos de dois anos para assumirem a gestão das novas redes.

Luís Cabaço Martins, presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviá- rios de Pesados de Passageiros (Antrop), alertou que, com o novo regime, “os operadores perdem quase tudo e ganham quase nada”, ou seja, as empresas do sector ficaram sem as concessões, de acordo com um modelo criado em 1949, tendo agora que se submeter a concursos públicos para a prestação do serviço de transporte público de passageiros.

O presidente da Antrop pediu às novas autoridades de transporte que resistam “à tentação de criar modelos muito atractivos e pouco sustentáveis”, bem como a fixar prazos muito curtos de concessão das novas redes.

No caso do concelho de Braga, o novo regime de transporte público de passageiros não irá representar grandes alterações, uma vez que a Câmara Municipal optou por se assumir ela própria Autoridade de Transporte, não delegando essa competência na CIM do Cávado, e garantida que está a continuidade dos Transportes Urbanos de Braga como “operador interno”.

No âmbito da CIM Cávado, este processo irá “potenciar uma melhor articulação entre todos os operadores, assim como nova estruturação da oferta, compatível com as necessidades das populações”.

Para o presidente da CIM, “este processo deve merecer a mesma razoabilidade e o mesmo cuidado que todos os processos de descentralização. Não podemos ser excessivamente voluntaristas e temos de preparar muito bem toda a informação e as condições das contratualizações”.

 

“Nota:

Teotónio dos Santos:

TUB crescem 3% no arranque de 2018 Os Transportes Urbanos de Braga (TUB) registaram, nos meses de Janeiro e Fevereiro, um crescimento do número de passageiros de 3%, relativamente aos meses homólogos de 2017. A revelação foi feita, ontem, por Teotónio dos Santos, administrador executivo da empresa municipal. Nos primeiros dois meses deste ano, a facturação dos TUB teve também um crescimento homólogo de 3%. Teotónio dos Santos, que interveio no seminário ‘Transportes: Contratualização’, salientou que os resultados operacionais deste início de ano vêm na sequência de um crescimento sustentado da facturação e do número de passageiros verificado nos últimos quatro anos. O administrador da transportadora municipal defendeu que o estatuto público não coloca os TUB abaixo dos operadores privados, antes pelo contrário, no que respeita à eficiência de gestão e à qualidade do serviço prestado.”

in Correio do Minho, 23/03/2018, #TUB #TUBraga #Mobilidade #Sustentável