IPCA quer envolver concelhos do Quadrilátero na criação de uma rede de transportes

“Envolver os quatro concelhos que integram o Quadrilátero Urbano – Braga, Guimarães, Barcelos e Vila Nova de Famalicão – na criação de uma rede de transportes que sirva os interesses não só dos seus estudantes mas da população em geral foi um dos anseios transmitidos ontem pela presidente daquela instituição.


Maria José Fernandes, que falava em mais uma sessão da iniciativa “Pequeno-almoço com…”, organizada pelos Transportes Urbanos de Braga (TUB), explicou que a mobilidade é um dos problemas com que o IPCA se depara, sobretudo para Barcelos e Guimarães. Uma falha que tem vindo a ser colmatada através de um contrato realizado com uma empresa de transportes que leva os estudantes da estação de comboios ao IPCA, em Barcelos, ou ao Ave-Park, em Guimarães, com viagens das 08h20 à̀s 23h00. Só de Braga deslocam-se para Barcelos, quase diariamente, cerca 38 por cento dos estudantes.

«O caminho a seguir era os quatro concelhos do Quadrilátero Urbano desenvolverem a região no sentido da mobilidade», referiu a presidente, acreditando que existe vontade por parte das autarquias para concretizar esta ideia, que beneficiaria não só o IPCA mas «toda a gente».

Como exemplo, referiu o Theatro Circo, em Braga. «Penso que, se houvesse mais mobilidade e mais rápida de Barcelos para Braga se calhar havia mais gente a ir ver os espetáculos», disse, vincando que, diariamente, pelo menos 3400 pessoas circulam entre Braga, Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Esposende para o IPCA em Barcelos, sendo o único meio de transporte público viável o autocarro.

Maria José Fernandes acredita que esta é uma vontade partilhada pelos responsáveis autárquicos dos concelhos inseridos no Quadrilátero Urbano, pelo que uma solução será encontrada nos próximos anos. «Penso que há sensibilização para esta necessidade, mas tem de haver condições para que isso aconteça», sustentou.

Adaptação à̀s exigências do mercado

A adaptação dos estabelecimentos de Ensino Superior aos mercados da sua área de abrangência e a aposta numa formação contínua foram outras das necessidades defendidas na sessão pela presidente do IPCA.
«Temos uma necessidade permanente de formar para o trabalho que as empresas estão a desempenhar, numa formação permanente, já que a formação contínua é o desígnio de todas as profissões, mesmo estando já no mercado de trabalho. É isto que tentamos realizar quando fornecemos cursos breves ou mestrados profissionalizados», explicou.

Como exemplo desta necessidade, a responsável adiantou que, de 2014 até à atualidade, o número de alunos que frequentam os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP) subiu de 140 para 900, sendo que quase todos eles ficaram empregados.

«A procura pelas empresas é muita porque estas são formações muito próprias e os alunos, sendo bons, acabam por ficar nas empresas», referiu, abrindo portas à possibilidade de estes cursos passarem a realizar-se também em horário pós-laboral, devido à elevada procura sobretudo da parte de pessoas já inseridas no mercado de trabalho e que pretendem mudar de área ou atualizar conteúdos.

Com a duração de dois anos, os TeSP incluem seis meses de estágio numa empresa. O objetivo passa por promover a integração dos estudantes no mercado de trabalho e assegurar que as entidades empregadoras encontram profissionais com o perfil desejado.

Depois de, em 2014, o IPCA ter contado com 140 estudantes inscritos, estes são hoje 900.

Pavilhão multiusos será uma realidade

Por entre os vários projetos que o IPCA ambiciona levar a cabo, o que mais perto está de se concretizar é a construção de um pavilhão multiusos no campus de Barcelos. O terreno já foi adquirido, o projeto está elaborado e a escritura deverá ser feita nos próximos dias, pelo que a expetativa é que a infraestrutura esteja construída dentro de dois anos.

Tal como explicou Maria José Fernandes, este pavilhão multiusos vem dar resposta a uma necessidade do campus, que assim passará a dispor de um espaço para a prática do desporto universitário, englobando modalidades como futebol e ginástica.

Este projeto está orçado em cerca de 800 mil euros (300 mil euros referentes ao terreno e 500 mil respeitantes à obra).

A construção de uma residência universitária é outra das ambições do IPCA, mas que só poderá ser concretizada a médio prazo. «Somos a única instituição de Ensino Superior do país que não tem uma residência universitária como as outras, que têm financiamento do Estado, e este é um desafio que temos para este mandato», vincou a presidente. Neste momento, o IPCA apenas dispõe de uma «mini-residência» adaptada com 20 alojamentos que, em breve, passarão a ser 40.

Quanto à expansão do IPCA para o concelho de Famalicão, é uma vontade por parte da instituição que aguarda por condições financeiras. «Já nos reunimos uma vez com a autarquia e vamos voltar a fazê-lo. Este ano será de definição. É uma área com grandes empresas e queremos ir para lá, mas precisamos de ter condições financeiras», vincou.”