“Contas da administração dos TUB apontam 43% de adesão à greve”

“O presidente do conselho de administração dos TUB disse ontem que, segundo as contas da empresa, a adesão à greve nacional chegou aos 43 por cento.

As contas, explicou Baptista da Costa são fáceis de fazer e baseiam-se no número de autocarros que deviam ter saído e no número de autocarros que realmente saíram, ou seja, deviam ter entrado ao serviço 110 autocarros, mas foram realizar as diversas rotas 63, logo a percentagem é de 43 por cento de adesão à greve.

«A greve é um direito e nós nunca questionamos isso. A forma como medimos a greve nem sempre tem coincidido com a do sindicato», disse.

Aos jornalistas, o presidente do conselho de administração dos Transportes Urbanos de Braga explicou que todos os dias a empresa transporta uma média de 51 mil clientes e estas greves fazem aumentar o número de queixas porque toda a sociedade é afetada.

Segundo realçou, até ao final do ano serão um total de 20 dias de greve, um número que na sua opinião merece uma especial reflexão, sobretudo numa empresa onde não parece haver grandes queixas laborais. Nos últimos quatro anos, explicou, foram admitidos 65 motoristas e, no universo desta empresa municipal, garantiu, só há um trabalhador a prazo. «Sou eu», salientou, acrescentando que «não há precariedade nesta empresa», uma vez que os cerca de 350 trabalhadores são todos efetivos.

Outro problema que os sindicatos costumam apontar para a realização das greves é a falta de diálogo por parte das entidades patronais. «Aqui não há sindicato que não seja recebido. As condições de trabalho têm vindo a melhorar nos últimos quatro anos e sabemos que temos ainda muito a melhorar », realça.

Em 2018 14 dias de greve Para o próximo ano, o presidente do conselho de administração disse saber que já tem pré-aviso de greve para 14 dias, que são os feriados de 2018. Aliás, este é um pré-aviso de greve que vigora desde 2012 por tempo indeterminado.

«Este pré-aviso persiste para os dias feriados e os colaboradores têm vindo a usá-lo. Seguramente que, no próximo dia 1 de novembro, haverá uma adesão com as consequentes danos causados à mobilidade dos cidadãos, num dia em que sabemos que em Monte d’Arcos poderá eventualmente falhar algum serviço», disse.

Baptista da Costa realçou junto dos jornalistas que a adesão a estas greves nos dias feriados tem vindo a aumentar, com custos sérios para os utentes que compraram os seus passes mensais.

«Uma empresa que opera de forma regular tem muito mais capacidade de reter os seus clientes. Conquistar um cliente é muito difícil, perdê-lo é muito fácil», sustentou.

Questionado sobre se a administração, reconhecendo o direito à greve, compreende estas greves em dias feriado, Baptista da Costa disse ter muita dificuldade em entender, uma vez que está sempre disposto a receber os sindicatos e em resolver o problema dos trabalhadores.

Segundo garantiu, já abordou a situação com os delegados sindicais e a resposta que obtém é que este é um problema nacional.”

in Diário do Minho, 28/10/2017