“Linha de TGV em Braga deverá integrar-se na estratégia da cidade”

“A implementação de estruturas como uma estação de Alta Velocidade só faz sentido se tiver em linha de conta a estratégia da cidade que irá servir e não o contrário, e Braga não é exceção. A ideia foi defendida por Aguinaldo Azevedo, diretor-geral da SENER, com mais de 30 anos de experiência na coordenação de equipas multidisciplinares envolvidas na planificação, projeto e gestão de grandes projetos de transportes, ontem, em mais uma sessão de “Pequeno-almoço com…”, promovida pelos Transportes Urbanos de Braga (TUB).

Abordando o caso concreto de Braga, o responsável defendeu que, a ser uma realidade a construção desta infraestrutura, «a cidade terá de reorganizar o seu sistema de transportes e rever o seu modelo de desenvolvimento» de forma a poder aproveitar o potencial que oferece a Alta Velocidade, «sempre assente no pressuposto de que o local da estação deve adequar-se à estratégia da cidade, que não deve perder as caraterísticas que fazem dela uma cidade única no país».

Sobre a localização prevista para a ligação de Alta Velocidade entre Porto e Vigo em Braga – na zona de Ferreiros, a 1,7 quilómetros da atual estação de comboios – , Aguinaldo Azevedo considerou que é «a localização possível», com a vantagem de permitir uma expansão para oeste. «Não haveria muitas mais hipóteses de estar noutro sítio», disse.

Contudo, e desconhecendo o processo que conduziu à escolha da localização da referida estação, o diretor-geral da SENER considerou importante a auscultação dos cidadãos, «chamados a apoiar financeiramente a criação desta rede, seja como contribuintes, clientes ou habitantes de zonas cujo meio ambiente é afetado». «Espero que os tenham envolvido no processo e que tenham expressado a sua própria visão, os seus anseios e expetativas », referiu.

Vincando que «não há evidência científica de uma relação direta entre a construção de uma estação de Alta Velocidade numa cidade e o potencial de desenvolvimento económico », Aguinaldo Azevedo considera que Braga e a região poderão retirar vantagens desta infraestrutura dada a proximidade ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, que ficará a cerca de 20 minutos de distância.

Por outro lado, «se adequadamente planeada e integrada numa estratégia de desenvolvimento global da cidade», será útil na promoção e desenvolvimento da área circundante da estação, mas também na atração de investimento privado, fomento do turismo e projeção além-fronteiras do seu polo universitário.

Nesse sentido, o planeamento da estação de Alta Velocidade terá de concentrar-se na criação de novos polos de atividade, «utilizando um planeamento integrado de transportes e uso do solo, investimentos em redes de transporte local e um excelente projeto urbano».

Questionado sobre a possível implementação desta estação em Braga, Teotónio dos Santos, administrador dos TUB, garantiu que a abertura ao processo é total por parte da empresa, tal como tem acontecido na articulação das suas carreiras com as das estações ferroviária e de camionagem.

O responsável defendeu ainda que, na ótica do planeamento, será importante deixar espaços reservados para um desenvolvimento futuro, algo que «passa muito pela estratégia nacional».”

in Diário do Minho, 22/03/2017 #TUB #mobilidade #sustentável