“TUB desafiados a transportar passageiros dos cruzeiros na cidade”

“O presidente do Conselho de Administração da APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, S. A., Emílio Brogueira Dias, foi o convidado do “Pequeno-Almoço Com…”.”

“Os Transportes Urbanos de Braga (TUB) foram ontem desafiados a realizar o transporte dos passageiros dos cruzeiros dentro das cidades. Só ao longo do rio Douro está em causa mais de um milhão de excursionistas, sendo por isso necessário recorrer a uma estrutura de transporte coletivo por terra nas cidades, que consiga responder às exigências desta clientela.

O desafio foi ontem lançado pelo presidente do Conselho de Administração da APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, Emílio Brogueira Dias, durante mais uma edição da iniciativa “Pequeno-Almoço Com…”, quer integra o plano de formação dos TUB.

Emílio Brogueira Dias realçou que, quer no caso do porto de Leixões, quer no caso do Douro, há uma vertente turística muito grande, «um enorme movimento de massas, que pode atingir mais de 100 mil pessoas por ano dentro de Leixões e um movimento de mais de 1 milhão de pessoas ao longo do rio Douro.

«É preciso uma resposta eficaz da estrutura de transporte coletivo das cidades. E é necessário que estas estruturas estejam adaptadas e se ajustem a estes picos e a esta necessidade de servir esta clientela, que é muito exigente», argumentou Emílio Brogueira Dias, recordando que «um cruzeirista tem horários muito firmes e não pode haver atrasos».

O presidente do Conselho de Administração da APDL considerou que estes serviços podem ser «um desafio» para empresas de transporte coletivo como os TUB, pois «apesar de se tratar de um movimento turístico sazonal, com picos, é muito importante na economia de escala».

«Um navio de Leixões com 5 mil passageiros necessita de um frota de 100 autocarros disponíveis das 8h00 às 18h00.

Portanto ,esta é uma área de negócio que acho que Repto foi lançado ontem em Braga é apetecível para qualquer entidade como os TUB», avançou Emílio Brogueira Dias.

O presidente do Conselho de Administração da APDL revelou ainda a dinâmica e o volume de mercadorias que é movimentado nos portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo.

Porto de Viana só utiliza metade da capacidade
Referindo-se em concreto ao porto de Viana do Castelo, o responsável esclareceu que apesar de já ter chegado a movimentar mais de um milhão de toneladas de mercadorias por ano, hoje movimenta menos de meio milhão de toneladas, estando, por isso a utilizar apenas 50% da sua capacidade.

Uma das dificuldades no que respeita a um maior aproveitamento do porto de Viana já foi ultrapassada, quando a gestão integrada dos portos do Douro, Leixões e Viana foi assumida pela mesma entidade.

«A APDL tem a obrigação de conseguir elevar o porto de Viana, até para maximizar os investimentos que têm sido feitos», sustentou o administrador.

Segundo o responsável, encontra-se também na fase final o Plano Estratégico da APDL, que pela primeira vez faz um estudo estratégico de Viana, Avelino Lima Leixões e Douro em conjunto, o que vai permitir um avanço ainda maior, permitindo pensar uma estratégia conjunta.

«Estamos a estudar Viana não como um concorrente, mas como um elo dentro da mesma empresa e como uma complementaridade de Leixões, olhando para Viana não como um concorrente, mas como um parceiro», sustentou.

O responsável realçou ainda que outra das dificuldades é o acesso rodoviário que hoje em dia passa pelo centro da cidade e tem muitas dificuldades na circulação, e inclusivamente as grandes cargas têm zonas em que só podem circular à noite.

O problema será solucionado ao longo do próximo ano por um projeto já viabilizado pelo Governo que vai permitir um acesso rodoviário diretamente às autoestradas.

A existência de uma unidade industrial muito forte, como a indústria da construção naval nos estaleiros, que se prevê que passe por uma fase de dinamização, também permitirá crescer.

Emílio Brogueira Dias revelou ainda a dinâmica que atualmente vivencia o porto de Leixões, que em 2016 transportou 18,3 milhões de toneladas, 60 mil TEUS, 2697 navios, exportando para 184 países 53 milhões de toneladas.

Por ali passaram também 84 navios de cruzeiro com 72 mil passageiros.”

in Diário do Minho, 09/03/2017