“Plano de Mobilidade exige 135 milhões de investimento”

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“BAPTISTA DA COSTA, administrador dos Transportes Urbanos de Braga, apresentou recentemente as prioridades do Plano de Mobilidade projectado para o concelho.”

“A consciência colectiva de que Braga é uma cidade poluída e com elevado nível de sinistralidade rodoviária justifica, na visão de Baptista da Costa, administrador dos Transportes Urbanos de Braga (TUB), os objectivos ambiciosos do Plano de Mobilidade, documento que prevê a redução em 25% do número de carros na cidade e a duplicação dos passageiros dos transportes urbanos até 2025.

Numa conferência recente sobre ‘A mobilidade e o interface’, organizado pela Câmara Municipal de Loures, no âmbito da ‘Semana da Mobilidade’, o administrador dos TUB sublinhou que aqueles dois objectivos, a que se junta o propósito de ganhar 18 mil utilizadores regulares de bicicleta, “estão alinhados com as metas da União Europeia e do United Nations Climate Change Conference, Paris, 2015”.

O Plano de Mobilidade prevê um conjunto de iniciativas que significam um investimento na ordem dos 135 milhões de euros, parte dos quais na implementação de um sistema de transporte regrante ‘Bus Rapid Transit’ (BRT) com um perímetro de 15 quilómetros.

Interfaces físicos na periferiada cidade, interfaces funcionais, promoção da bicicleta como modo de transporte quotidiano, semaforização inteligente e a construção de um novo parque de material e oficinas dos TUB são outros projectos inscritos no Plano de Mobilidade.

Enquanto o novo sistema BRT não está implantado, o responsá- vel da transportadora municipal refere que “a capacidade dos TUB para atingir as metas propostas” no que respeita ao uso do transporte público, numa cidade ainda “orientada para o transporte individual”, está a ser “evidenciada pelo facto de nos anos de 2014 e 2015 terem invertido a tendência de muitos anos de perda de passageiros, tendo aumentado em 5% o número de passageiros transportados e em mais de 4% a facturação, sem aumento do tarifário ou de frota”. Baptista da Costa assegura que “o crescimento mantém-se em 2016”.

A rede de transportes colectivos do concelho de Braga deverá ser complementada com serviços porta-a-porta, modalidade que permitirá “reduzir custos e melhorar o serviço em zonas menos densas ou em horários de menor procura”.

No que respeita ao plano de promoção do uso regular da bicicleta, o Plano de Mobilidade “contempla o desenho de 76 km de vias cicláveis”, bem como a implantação de um “sistema de bike sharing”.

O recurso às tecnologias de informação e comunicação permitirá a implementação de interfaces funcionais. Explica Baptista da Costa que a utilização de sensores de medição da mobilidade minimizarão “interrupções dos fluxos prioritários, ajustando-os à criticidade e frequência sempre variável ao longo do dia e do ano, minimizando o consumo energético e melhorando o conforto de quem se desloca na cidade”.

Acrescenta o administrador dos TUB que “será monitorizada a localização dos autocarros, a contagem da entrada e saída de passageiros e será possível a comunicação entre um centro de controlo e o motorista, assim como a ligação ao autocarro de modo a retirar diversos dados”, nomeadamente os referentes a velocidade, consumo e avarias. Antevê-se que a cidade seja “dotada de bilhética ‘user friendly’e escalada, ao mesmo tempo que os utentes do transporte pú- blico disporão de internet wi-fi e de carregamento de dispositivos móveis a bordo dos autocarros e em algumas paragens.

“A forma como as pessoas se deslocam na cidade é fortemente influenciada pelas tecnologias disponíveis a cada momento e que têm um impacto económico e social importante”, defende Baptista da Costa, avisando que, “no planeamento das cidades, os decisores têm de integrar a variável tecnológica como estratégica”.”

in Correio do Minho, 26/09/2016 #TUB #Braga #mobilidade #sustentável #transportes #urbanos